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Como é a primeira sessão de terapia, passo a passo

29 de junho de 2026 · 5 min de leitura

Boa parte das pessoas adia a primeira sessão pelo mesmo motivo, e quase nunca é o preço. É não saber o que vai acontecer.

Então vamos tirar o mistério.

Antes

Você não precisa preparar nada. Não existe roteiro, não existe forma certa de contar, e não tem problema chorar, travar ou rir na hora errada. Tudo isso já aconteceu antes, com muita gente.

Se ajudar, você pode chegar com uma frase pronta na cabeça sobre o que te fez procurar. Uma frase. Não precisa ser boa.

Sendo online, garanta duas coisas: um lugar onde ninguém te ouça e o celular carregado. Fone de ouvido resolve metade dos problemas de privacidade.

Os primeiros minutos

Começa com o combinado: como funciona, quanto dura, com que frequência, quanto custa, e principalmente o sigilo. Esse é o momento de perguntar o que você quiser sobre o enquadre. É seu direito e não incomoda ninguém.

O meio

A maior parte da sessão é você falando e eu perguntando.

As perguntas vão em três direções: o que está acontecendo agora, desde quando, e o que já tentou. Não é interrogatório e não segue formulário. Se você começar por um assunto e derivar para outro, tudo bem. Muitas vezes a derivada é a informação mais útil.

Não é preciso contar a história inteira da sua vida no primeiro dia. Terapia não tem prazo de entrega de informação.

O fim

Os últimos minutos são de organização. Eu devolvo o que entendi, em voz alta, para você conferir se está certo. Se fizer sentido, saímos com uma proposta inicial de trabalho e uma ideia de frequência.

E fica combinado o mais importante: se você quer continuar. Não continuar é uma resposta legítima, e não precisa ser justificada.

O que costuma surpreender

Passa rápido. Cinquenta minutos parecem quinze quando você finalmente fala.

Cansa. É comum sair meio esgotado. É esperado, e não é sinal de que algo deu errado.

Não tem conselho. Se você espera sair com uma lista de instruções, a primeira sessão frustra. O trabalho não é me dizer o que fazer. É entender o que está acontecendo, e aí construir o que fazer com base nisso.

Você vai lembrar de coisas depois. No dia seguinte aparece aquilo que você queria ter dito. Anote e leve na sessão seguinte.

O que não acontece

Não tem divã, não tem interpretação de sonho por padrão, não tem julgamento da sua escolha, não tem sua família sendo culpada de ofício. Nada do que você falar sai da sala.

Se ainda assim estiver difícil marcar

Isso também é comum, e às vezes é o próprio sintoma trabalhando: adiar o que é importante é uma das coisas que a ansiedade faz melhor.

Um caminho que costuma destravar: em vez de decidir sobre “fazer terapia”, decida só sobre uma conversa. Uma. Depois dela você decide o resto com informação, não com suposição.


Atendo online para todo o Brasil. Se você chegou até aqui, a parte difícil já foi.

Iolanda Alves de Santo

Psicóloga clínica, CRP 08/09442. Terapia Existencial Fenomenológica.

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